segunda-feira, 20 de agosto de 2007
Dói
"Acabei de fazer uma coisa muito bonita.
Porém, ao mesmo tempo, acabo de descobrir que caridade dói, e dói uma dor física que sufoca.
Estava eu indo à FUMP (o prédio onde é gerida uma fundação de assistência estudantil, ou seja, um lugar que ajuda alunos pobres), quando o ônibus virou uma esquina e eu não pude deixar de olhar pra um mendigo, sentado sob o sol forte, com roupas escuras, todas rasgadas. O cabelo dele estava despenteado, parecia meio branco, meio cheio de poeira, e ele empurrava-o pra trás de quando em quando. Pensei que ele estava no começo da Augusto de Lima. Observei enquanto o sinal continuava fechado o modo como as pessoas passavam direto por ele e senti pena. Lembrei-me então de um desejo que eu guardava desde antes de me mudar, e prometi-me mentalmente que, depois de resolver meus assuntos na FUMP, compraria uma daquelas esfihas de carne do Habib's, que são baratinhas, e levaria pra ele. Aquilo ia requerer uma caminhada enorme, mas eu decidi que não ia doer sair um pouco do meu caminho pra dar algo praquele homem comer.
Só que o 5102, pra quem não conhece, é um ônibus que dá voltas e voltas na Praça Raul Soares, e quando olhei para o começo da Augusto de Lima antes mesmo de descer do ônibus, vi que não era lá que ele estava. Desanimei, pensando que ele poderia estar em qualquer esquina no entorno da praça, e ficar rodando lá poderia ser perigoso. Daí surgiu a segunda promessa mental: se eu encontrasse outro mendigo no caminho, faria a caridade, mas sabia que era uma promessa vazia, porque o caminho do ponto de ônibus até a FUMP é curto e não costuma ter mendigos.
Resolvi meus problemas, fiz meu lindo orçamento de gramática e dicionário de inglês, e fui saindo do prédio. Assim que pus os pés do lado de fora, ali estavam elas. Três mulheres, parecendo tão miseráveis quando o mendigo da idéia original, estavam sentadas ao lado do prédio, com carinhas sonhadoras, uma delas só com os dentes de cima da frente, espaçados e protuberantes; outra parecia mais velha, com os cabelos cinzentos iguaizinhos aos do homem, e uma menina encostada nela. As três estavam pedindo esmolas com duas caixas de sapatos. Eu hesitei em passar no meio delas, dei a volta, fiquei parada na calçada, olhando pra elas, sem ser percebida.
Pensei: são três! Eu não tenho tanto dinheiro assim pra comprar esfiha pras três, e não posso dar de comer só pra uma. Vou embora...
Dei um passo à frente, parei de novo, e entrei na fila do Habib's que fica ao lado da FUMP. Comprei três esfihas de carne pra viagem e saí do prédio.
Primeiro eu me aproximei daquela com poucos dentes. Nem lembro direito as palavras que eu usei. Algo sobre perguntar se ela estava com fome e se gostava de carne. Entreguei uma esfiha, ela me olhou toda feliz, disse: "Deus te abençoe", e eu respondi "Amém", mesmo sem ser mais católica, que é o que eu sempre faço, pra não magoar os sentimentos religiosos das pessoas. Só que quando eu me virei pras outras duas, que já estavam alegrinhas por antecipação, eu não aguentei e comecei a chorar. Balbuciei de leve que tinha comprado uma esfiha pra cada uma. Entreguei as esfihas pra elas, depois os guardanapos. Voltei e entreguei guardanapos de papel pra primeira mendiga também, porque eu tinha esquecido.
Respondi aos agradecimentos delas de novo e me joguei na faixa, onde o sinal estava aberto pros pedestres. Estava chorando que nem criança, não consegui aguentar. Estava também com essa dor de que eu falei no começo, que pareceu fazer o meu coração inchar, ficar imenso, e me apertar por dentro; não tinha espaço pra mais nada, só coração.
Fiquei triste, porque aquilo era tudo que eu podia fazer por elas. Fiquei puta, porque todo mundo passa reto, todos os dias. Fiquei com vergonha, porque era a primeira vez que fazia isso, quando isso deveria ser um ato rotineiro, não só meu como de todas as pessoas. Fiquei me sentindo uma espécie de Cinderella Man, mas isso não me deixou tão feliz comigo mesma quanto achei que me deixaria, porque, de certa forma, eu estava sentindo dor. Era tão forte que eu fiquei assustada, enquanto subia a Espírito Santo. Achei que não ia conseguir chegar ao ponto de ônibus, passei direto por um hotel rico, com engravatados conversando educadamente à porta, passei por dois moleques com camisetas de Medicina da UFMG. E aquela dor não passava. Eu subi no ônibus, me sentei e continuei chorando, com todos esses pensamentos piegas que a caridade gratuita envolve, como "por que as pessoas deixam outras sofrerem desse jeito?" ou "por que ninguém faz nada?".
Não podia deixar de lembrar, também, do Machado de Assis, que é sempre essa droga dessa nuvem negra em cima da cabeça da gente, falando que nunca se faz nada gratuitamente. Se eu dei um pouquinho de comer pras mendigas, queria reconhecimento, seja por quem estava passando pela calçada, seja por quem vai ler essa postagem, ou qualquer pessoa que consiga ouvir essa história de mim. Mas tá doendo tanto, que eu queria abraçar a minha mãe. Nada que eu faça agora faz essa sensação passar, apesar de eu ter certeza que fiz não só uma coisa certa, como uma coisa admirável, mesmo que o meu subconsciente tivesse me jogado dentro do Habib's só pra aumentar minha auto estima, ou a estima de vocês sobre mim. Muita gente condena esses atos aleatórios de alimentação dos pobres, porque é apenas um modo de ilusão. Bom, não seria, se vossas senhorias fizessem o mesmo, de vez em quanto. As três esfihas me custaram 1,70. Não dói não. O que dói é o que vem depois.
Outra vontade que me tomou conta foi de gritar com alguém, de cuspir na cara dos revolucionários que agora enchem o campus da UFMG. Me deu vontade de quebrar alguma coisa cara de alguém importante. Deu vontade de me esconder."
Amanda Pavani.
Ultrabacana
18 de agosto. Sábado à noite. Music Hall. Festa Ultrabacana; shows com Pato Fu e Cachorro Grande. Na hora que eu entrei no lugar e ouvi a mulherzinha dizer "tenha uma festa ultrabacana" e me dar um pirulito juro que senti vontade de ir embora. Mas a vontade passou assim que cheguei no lugar da festa. A Lu concordou comigo: alguma coisa ali deixava a gente confortável. As pessoas não pareciam tão discrepantes quanto na maioria das festas. Claro, um bando de nerds! De diferentes categorias, é verdade, mas ainda assim estranhamente não-discrepantes de nós. Dá pra acreditar?
Ficamos bem perto do palco e quando o show do Pato Fu começou todas as nossas reclamações de que devíamos ter trazido colchonetes para dormir se mostraram infundadas: o show foi super animado. E eu descobri que sei mais músicas do Pato Fu do que pensava. As dancinhas toscas da Fernanda Takai foram ótimas (tá vendo? Eu ainda tenho futuro!). Me surpreendi e paguei língua mesmo. Excelente.
Pro show do Cachorro Grande as pessoas ficaram mais agitadas, brigando pra ficar mais perto do palco. E devo dizer que a maioria era composta de jovens de boina. rs Falar que foi uma apresentação empolgada é besteira. Foi animal! E terminou com um Rodolfo Krieger bêbado gritando que BH era foda e pulando em cima da galera. Como descrever uma coisa dessas?
(E como me perdoar por não ter levado uma câmera fotográfica?????????)
Parece estranho, né? Reunir duas bandas que a primeira vista são tão diferentes. E é mais estranho ainda perceber que você gostou dos dois estilos, e se divertiu igualmente com dois jeitos tão diferentes! Quer dizer, o show do Pato Fu é leve, bonitinho, empolgado, te faz balançar de levinho e dar pulinhos. Já o show do Cachorro Grande dá tanta energia que parece que você levou uma pancada na cabeça e ao mesmo tempo que tá destruído não consegue parar de gritar e dar verdadeiros saltos entusiastas... Fernanda cantando com suas dancinhas e Beto Bruno dando berros rodando o pedestal do microfone...
Como se junta gente assim no mesmo espaço? O que faz com que as pessoas gostem dos dois? Qual é a coisa que faz com esses dois sons sejam tão verdadeiros? Qual elemento faz com que nos identifiquemos com as duas bandas?
Woo – Pato Fu
Faça algo mágico e faça agora
Ahaaa
Faça isso rápido e sem demora
Ahaaa
Siga a sua lógica indo embora
Ahaaa
Faça algo cínico e dê o fora
Ahaaa
Quando algo sai do seu controle
o mundo volta a respirar
A confusão pode ser doce
A perfeição pode matar....ah.....
Sinta seu espírito ir à forra
Ahaaa
Tranque esse cubículo por fora
Ahaaa
Veja como é ótimo, não tenha medo
Ahaaa
Conte o seu angélico segredo
Ahaaa
Quando algo sai do seu controle
o mundo volta a respirar
A confusão pode ser doce
A perfeição pode matar...ah...
Woo!
Woo!Velha amiga
- Cachorro GrandeVocê tem que olhar a estrada
Com uma cara cansada
Como uma velha amiga
Que você já não agüenta mais
Estou aqui de passagem
A vida é uma mala pronta pra viagem
Minha cabeça é minha bagagem
E a estrada é uma velha amiga
Com quem você pode contar, velha amiga?
Cada um fala do que sabe.
Cada um faz a sua própria filosofia.
No final das contas, as diferenças não importam mais. A mensagem chega até nós da forma como tem que chegar. Falando da vida como um grito histérico ou como uma estrada, não importa. É por isso que Pato Fu e Cachorro Grande conseguem pirar o mesmo público.
Cada um fala do que sabe. Da sua própria verdade.
...
Eu escrevo.
Ultrabacana mesmo!
domingo, 12 de agosto de 2007
Avô deserda Paris Hilton
1 - Bem feito, aquela vaca! Se ferrou.
2 - Quem se importa?
3 - Golpe da mídia, mas que lixo!
É engraçado que quando o assunto se volta para a vida das celebridades, todo mundo enche o peito para dizer: "Mas é uma mesquinharia mesmo. Como se a gente estivesse interessado na vida deles. E a televisão empurra essa porcaria pra gente, como se fosse importante. Deviam investir em programas educativos que realmente ensinam as pessoas. Notícia de verdade". A maioria das pessoas presentes na conversa faz sinal de afirmação, algumas intervenções de concordância e no fim todos dizem o quanto o povão se deixa seduzir pelas pseudo-notícias. O mundo é lindo, as pessoas têm senso crítico, todos vamos viver felizes como irmãos pelo resto da eternidade... e bla bla bla. Acontece que em toda sala de espera de consultório médico ou dentário sempre tem uma revista ´Caras´. E todo mundo lê.
É inevitável. Você está lá sentado - numa cadeira que nem sempre é confortável - observando uma secretária - que nem sempre é agradável - antotar alguma coisa ou tomar o cadastro de algum outro paciente. A consulta como sempre está atrasada, já faz meia hora que você está olhando para a parede e de repente, num banquinho ao lado do lugar onde você está sentado está ´Malu Mader revela sua intimidade´. Quem resiste, né? O mundo conspirou para você pegar a revista e ler não só sobre a intimidade de Malu Mader, mas também sobre o fim do namoro da Débora Secco ("mocinha desfrutável!"), sobre a casa nova que o Fábio Júnior ("como se ele não tivesse muitas!") comprou e sobre o escândalo que foi a Lindsay Lohan aparecer sem calcinha numa festa ("aquela vadia!"). Nessas horas você esquece que normalmente é contra essas pseudo-notícias. Se esquece de que diz para todos os seus amigos que bom mesmo é ler ´Superinteressante´ ou, quando quer impressionar mesmo, ´Carta Capital´. Porque nessas horas o que realmente importa é que a Xuxa emagreceu 10 quilos! ("Magrela!")
A humanidade sofre do que eu chamo de fetiche do holofote. Vontade de estar lá sob as luzes da ribalta, de conhecer o mundo por trás da cortina de seda que é o show bizz. Chegar perto daqueles que estão lá em cima, conhecer seus segredos, se aproximar deles. Sentir, mesmo que seja falsamente, que estão perto deles... Porque em cima do palco o mundo é melhor. Em cima do palco as pessoas são mais bonitas, são mais bem vestidas. Em cima do palco os casamentos são perfeitos, as chances de criar uma ruga são mínimas e os rios de dinheiro... ah, os rios de dinheiro! Todo mundo quer ser famoso. E quando não dá, ler uma nota ou outra sobre o vestido novo da Sarah Jessica Parker ajuda a matar um pouquinho do desejo...
O problema é que humanos são bichos estranhos. São complexos, são paradoxais, são loucos, são esquisitos e principalmente, têm uma necessidade compulsiva de criar problemas. O problema do fetiche do holofote é: vamos fingir que somos cults, não ligamos para essa porcaria. E no fundo uma vontade louca de saber se a Angelina Jolie vive feliz com o Brad Pitt lateja no peito. Negação. Qual a solução para dar vazão a essa frustração? (quantos -ãos... rs) JOGA PEDRA NA GENI!
Ah, que alívio descobrir que o Tom Cruise tem TOC e que o Leonardo diCaprio terminou com a Gisele. Só não foi melhor que ver a Britney ser internada três vezes seguidas numa clínica de reabilitação e a Paris Hilton ser presa por 23 dias. Já que não podemos ser como eles, que possamos ver que eles são como a gente, não? Pior que a gente. É o tipo de pensamento que conforta as pessoas. Ao mesmo tempo que veneram celebridades, têm um prazer sádico em vê-las se darem mal. Eu disse que humanos eram estranhos.
Ninguém está livre da tentação de ler a manchete da ´Ti-ti-ti´ ou uma notinha da ´Querida´. Nem eu, nem você, leitor - que aposto que está agora mesmo dizendo que não lê essas porcarias sem conteúdo! -. Negação.
Será que tem mesmo algo de tão errado, de tão criminoso em ler "a última" na página principal do seu provedor? Será que vai pro inferno quem sabe qual o atual namorado da Jennifer Aniston? Será que é atestar seu baixo nível intelectual confessar em frente aos amigos que você achou horroroso o vestido da Helena Boham Carter na última Premiere do filme dela? (que é que era aquele echarpe, pelo hipogrifo sem dente!) Huuuuuuuuuum, acho que a resposta é não.
Mas existe uma coisa que realmente define a sua posição. Quando o dentista chama o seu nome você pára de ler. E aí, na volta pra casa, você lembra de outras coisas; daquele filme bacana que vocêu viu, ou da situação política do país; ou de uma piada realmente engraçada. Agora a notícia da Paris Hilton deserdada é um limbo na sua mente, e não faz diferença na sua vida... Afinal de contas, é só fruto de um complexo maluco da humanidade, não? É, não é tão importante assim..
Se três reações são desencadeadas ao mesmo tempo na sua mente com uma notícia desse tipo, não se preocupe, não há nada de errado com o seu cérebro. Você não será expulso do grupo dos nerds e seu livro favorito ainda pode ser O Senhor dos Anéis...
quarta-feira, 8 de agosto de 2007
17
Com 17 anos eu estudei como nunca tinha feito na vida; com 17 anos eu descobri que os meus amigos são os melhores do mundo; com 17 eu vi que minha família me apoia em tudo (e tem uma paciência que só Deus sabe como resiste!); com 17 eu tive um namorado extremamente babaca (todos precisam ter um na vida); com 17 anos eu descobri que é bacana ensinar os outros; com 17 eu dei muita risada; com 17 eu chorei um bocado e gritei com pessoas com que não devia ter gritado. Com 17 anos eu já odiei andar de busão; com 17 anos eu entrei numa universidade federal renomada (três vivas para a UFMG!); com 17 anos eu descobri que tenho uma paixão maior por Teoria da Literatura do que por Linguística!; com 17 anos eu vi que muita gente joga a vida fora, equanto pouca gente vale a pena; com 17 anos, e eu ainda acho que a melhor banda do mundo é o Rush (apesar de escutar outras e achar que elas são boas); com 17 anos e o melhor presente que posso ganhar é um livro. Com 17 eu saquei que às vezes as pessoas mudam, mas isso não é necessariamente ruim; com 17 eu descobri que amizade on-line não é possível, mas duradoura (Resort 4ever); com 17 eu descobri que ainda sou capaz de escrever algo original (mas ainda acho que as fanfictions foram uma fase maravilhosa que talvez nunca passe de todo! R/H writer sempre!); com 17 anos eu li o final de Harry Potter (e chorei, descabelei, sorri, torci) e considero que essa é a melhor série já escrita! Jo é minha ídola!; com 17 anos eu vi que os teóricos literários podem ser bem idiotas e que às vezes, é melhor gostar de Harry Potter mesmo e ser feliz. Com 17 anos eu saquei que, bem, eu sou eu mesma. E que sou feliz assim. Os 18 não vieram para inaugurar uma nova fase e sim para confirmar tudo o que eu construí e fui nesses últimos 17 anos.
Eu vou sentir falta dos 17... Se o Stephen King tem o 19, eu tenho o 17. Então é com muita nostalgia que eu encerro esse post... É com saudade que amanhã caminho para os 18, lembrando da festa de aniversário surpresa... do cursinho... do primeiro dia na faculdade... do trote que minha família e amigos me deu... de todas as idas ao cinema e ao boliche com os amigos... dos rodízios de pizza... de Harry Potter... do Resort... das conversas tresloucadas no msn... das músicas ouvidas enquanto vagava na internet... das minhas fanfics... das fanfics dos outros!... das conversas com a minha irmã durante a noite e das teorias desenvolvidas do nada... do colo da minha mãe... das trocas de idéia com o meu pai... Não é realmente um adeus, eu sei. Eu não vou deixar essas coisas morrerem porque elas estão eternizadas para sempre na minha memória!
Eu agradeço a todos que estiveram comigo nesses 17 anos de vida! Sem vocês, eu não seria ninguém. Amo todos!
O espírito sem limites é o maior tesouro do homem.
terça-feira, 31 de julho de 2007
Jo
Jo - como gosta de ser chamada - era uma criança normal, que gostava de brincar nas escadas com sua irmã mais nova, Dianne, e que apesar de demonstrar desde cedo algum interesse pela escrita - de vez em quando se dedicava a histórias protaganizadas, principalmente, por animais - não deixava de ser absolutamente comum. Detestou algumas escolas em que estudou e brigava com a irmã mais nova para logo depois fazer as pazes e inventar novas brincadeiras do tipo role play. Rowling ainda diz em seu site que Di era mais bonita, então todos decidiram que ela, Joanne, deveria ser a mais inteligente. Mas Jo afirma que durante muitos anos desejou poder ser mais atraente e Di fez de tudo para provar que não era só um rostinho bonito. Ninguém é satisfeito com o que tem, não?
Já na adolescência, tomou por heroína Jessica Mitford, usava maquiagem preta nos olhos e tinha como bandas favoritas os Smiths e o The Clash. Foi uma bênção quando conheceu em Chepstow (uma cidade em Wales, para onde havia se mudado com os pais) Sean Harris, dono de um Ford Anglia turquesa. O carro era uma verdadeira liberdade para dois jovens amigos que viviam numa cidadezinha muito monótona. E foi para esse Sean que Rowling contou sua maior ambição: a de se tornar escritora. Como um bom amigo, ele a incentivou. (Abençoado seja Sean Harris!)
Em 1983, foi para Universidade de Exeter, no sul da Inglaterra estudar Língua Francesa. Jo assume que esse foi um grande erro, pois lhe teria sido muito mais útil uma formação em Inglês. Ela cedeu à pressão dos pais, que diziam que era mais proveitoso estudar francês. "Mas pelo menos estudar francês significou que eu vivi um ano em Paris como parte do meu curso" - diz ela.
O primeiro trabalho de Rowling foi na Anistia Internacional, em Londres. Mas ela e o namorado de então decidiram se mudar para Manchestar e foi numa dessas viagens Manchester-Londres que um certo menino bruxo chamado Harry, apareceu em sua mente. Joanne não tinha caneta para escrever, então passou o resto da viagem desenvolvendo mentalmente todos os pontos da história. Quando chegou em casa à noite, escreveu furiosamente. As idéias foram lhe brotando na cabeça e a história se desenvolvendo. No entanto, em dezembro daquele ano (1990) a mãe de Jo, Anne, morreu vítima de esclerose múltipla.
Rowling afirma que sua morte afetou profundamente sua escrita. A dor e o sentimento de seu recém-criado personagem, Harry, com relação aos pais mortos agora eram mais reais. Desde então, o tema central da série Harry Potter passou a ser a morte. A relação das pessoas com a morte, as consequências da morte, o medo da morte. Recentemente, Jo lamentou o fato de nunca ter contado para a mãe sobre Harry Potter.
Precisando de um tempo para colocar a mente e os sentimentos em ordem, Joanne foi para Portugal ensinar inglês como língua estrangeira. Ela imaginava que voltaria para Inglaterra com seu livro terminado, mas voltou com uma filha. Jessica Rowling Arantes nasceu no meio do ano de 1993. Rowling havia se casado com um jornalista português, mas o casamento não durou até dezembro. Com uma filha de colo, ela foi embora (ou expulsa, depende da versão da história) para Edimburgo, onde morava sua irmã.
Mesmo vivendo com ajuda do auxílio-desemprego e tendo de cuidar de uma filha pequena, Jo não parou de escrever. Ela dedicava suas noites na infindável tarefa de terminar Harry Potter e a Pedra Filosofal. Durante o dia, quando levava Jessica para dar um passeio e a menina dormia, ela entrava no café mais próximo e escrevia energicamente. Quando o livro ficou pronto, ela enviou os três primeiros capítulos para algumas agências. Várias versões voltaram. Então, a Bloomsbury - uma pequena editora, na época - fez uma oferta. O resto é história.
O que mais me admira em Rowling, não é o bilhão de dólares que ela tem em sua conta, não é a boa crítica em cima dela nem a fama. O que me faz contar e recontar a história dessa mulher a cada vez que alguém me pergunta (e até quando não pergunta) é o fato de que ela fez uma coisa boa. Uma coisa marcante. Ao invés de se sentar em seu apartamento e se desesperar enquanto cuidava da filha; ao invés de surtar; ao invés de chorar a perda da mãe e a falência de seu casamento; ao invés de ficar com raiva do mundo e da droga da vida injusta, ela fez uma coisa boa. Obviamente que sua escrita era uma espécie de fuga. Era um mundo que ela mesma criara, e apesar de não ser o mundo perfeito, naquele mundo Rowling podia ser ela mesma. Escrevendo não dá pra mentir. Mas mesmo sendo fuga, ela queria fazer alguma coisa. Não era só uma questão de "bem, to mal, vou viajar na maionese um pouco"; ela acreditava no que fazia. Claro que não esperava a súbita fama e dinheiro, mas sabia que Harry Potter - aquela história que martelava o tempo todo em sua cabeça - era uma coisa boa. E ela quis mandar esse bem para o mundo. Quis que fosse publicado, mesmo com apenas 1,000 cópias iniciais.
Com tanto lixo nesse mundo eu realmente fico feliz ao ver que alguém como Jo conseguiu espalhar com estrondoso sucesso um livro recheado de temas como amizade, consciência, fidelidade e amor. Por que essas coisas não colam hoje em dia, não? É fora de moda. Mas em Harry Potter, Jo reformatou todos esses valores e os transmitiu a milhões de pessoas no mundo inteiro! Ela fez essas pessoas rirem, chorarem, torcerem, repensarem suas vidas. E ainda dizem que é só a história de um bruxo? Só para quem não abre a cabeça um pouquinho para entender o que há por trás das capas, caldeirões e varinhas! A fantasia não é real? Então como uma mulher real, enfrentando graves problemas emocionais e financeiros reais conseguiu esquecer do mundo real em que vivia para escrever um livro que seria puramente ficção? A imaginação dela é realmente grande, mas não tão grande a ponto de não refletir influências reais. Porque conflitos existenciais sempre existirão por aí, porque sempre haverá no mundo necessidade de amor para vencer os problemas, porque a morte paira sob todos nós mesmo que não seja sob a forma de Avada Kedrava, porque é simplesmente impossível negar que aqueles personagens - que fazem feitiços e voam em vassouras - não sejam irresistivelmente parecidos com nós mesmos.
Eu admiro Jo por ter sempre acredito em sua história, por tê-la escrito da forma como a concebeu naquela viagem de trem Manchester-Londres... Eu admiro Jo por ter feito pessoas gostarem de ler, por ter incentivado a pesquisa e as outras formas de literatura. Eu admiro Jo por não ter dado a cara a bater, por não ter sucumbido à fama e por ser tão sem graça com os jornalistas mexeriqueiros. Eu admiro a Jo por não fazer nada a não ser rir quando sai matérias sobre ela no The Sun e por tratar tão bem e respeitosamente seus fãs, espalhados pelo mundo inteiro. Eu admiro Jo por seu trabalho junto a instituições de caridade e por sua contribuição financeira no desenvolvimento da pesquisa para cura de doenças como a esclerose múltipla. Eu admiro Jo por ser uma mãe dedicada. Eu admiro Jo por nunca ter tratado seus fãs com ar de superioridade, por responder educadamente a cada pergunta, por dividir conosco alguns de seus pensamentos e principalmente, por nunca ter subestimado a nossa inteligência. Ela sempre nos tratou de igual pra igual. Eu admiro Jo por ser uma escritora de talento e por ter espalhado uma mensagem tão bonita através de seus livros. E finalmente, eu admiro Jo por ter me feito acreditar nesses livros, por ter me feito crescer com eles, aprender com eles. Por ter feito Harry Potter ser uma parte tão importante da minha vida.
Eu desejo a Jo o melhor aniversário que ela puder ter, toda a felicidade que ela puder encontrar e todo o amor que ela puder alojar em seu coração!
Draco dormiens nunquam titilandus.
J.K.Rowling tem a Ordem do Império Britânico, um honorário na Universidade de Exeter, um honorário da Universidade de Aberdeen por suas inúmeros contribuições à sociedade e é considerada a maior escritora britânica viva pela The Book Magazine.
Atualmente tem residência em Edimburgo, em Londres e em Alberfeldy; todas elas avaliadas em alguns milhões. Ela é casada com o anestesista Neil Murray e teve mais dois filhos: David e Mackenzie. Ela se julga uma pessoa de sorte e muito feliz com a família que tem.
Todas as informações desse post foram retiradas de jkrowling.com e a confirmação dos prêmios, da Wikipedia.
domingo, 29 de julho de 2007
Nublada Existência
*Saído direto da minha cabeça*
Ele precisava dizer aquilo. Colocar pra fora aquela coisa que batia dentro dele como um tambor descompassado. Era tão mais fácil nos filmes... Nos filmes o herói confessava depois de um grande momento de glória, olhava dentro dos olhos da mocinha e, se desse sorte, ganhava mais que um beijo. Mas aquilo não era um roteiro de cinema, era a vida real. E as coisas são mais difíceis na vida real, porque se errar, não tem como rodar a cena de novo...
O nome dele era Don. Deixava os cabelos caindo desajeitados por cima da testa, não por estilo ou qualquer outra coisa assim, mas porque tinha preguiça de pentear. Usava uma camisa que parecia grande demais para ele e tinha a mania de usar tênis dentro de casa. Os olhos eram castanhos, vivos e grandes; e possuíam aquele brilho indefinido, pouco comum em garotos da sua idade.
Don deu uma olhada para uma mancha escura no teto do quarto. Quando pensava em alguma coisa com mais profundidade do que supostamente deveria, encarava a mancha inconscientemente. Como se ela pudesse lhe dar alguma resposta. Como se dela fosse de repente sair alguma coisa fantástica e dizer: “Parabéns, Don. Seus problemas acabaram!”.
Balançando a cabeça, sentindo-se extremamente patético, Don abriu a gaveta da escrivaninha lentamente.
- Don, desce aqui embaixo! Se demorar, vai ficar sem lanche!
Era a mãe. Desejou que ela tivesse feito bolo. É, bolo seria bom. Só agora percebia o quanto estava com fome.
Pegou o caderno de capa vermelha que estivera aberto em cima da escrivaninha e guardou-o dentro da gaveta, dentro de uma inocente e digna revista de carros com data de publicação do ano anterior. Assim, não chamaria atenção de Martin ou de qualquer um de seus outros amigos. Era o único modo de ficar seguro. Achava que não suportaria se alguém descobrisse o conteúdo daquele caderno de capa vermelha. Não, provavelmente não suportaria. E sumiria da cidade caso isso acontecesse. Ninguém, no mundo inteiro, jamais saberia que Don escrevia poesia.
Poesia.
Aquilo já vinha acontecendo há um tempo, desde uma aula de literatura particularmente tediosa da Sra. Shaw. Com aquele sotaque bizarro, a velha discursava sobre métrica, sobre pentâmeros e alexandrinos e sobre gente que já estava morta há muito tempo. Depois de quinze minutos de prelação, Don perdeu a batalha para o ócio e passou a dedicar a ele o tempo restante da aula. Então, uns quinze minutos antes de tocar o sinal, a Sra. Shaw – o sotaque mais forte do que nunca tamanho o entusiasmo – mandou que os alunos escrevessem um pequeno poema, tentando “à medida do possível, claro, utilizar os elementos que discutimos hoje”. Quando a classe ameaçou um protesto, ela acrescentou depressa:
- Visto no final da aula!
Martin mandou uma bolinha de papel na nuca de Don e os dois começaram uma discussão sobre as possíveis atividades da tarde. Estava empolgado com a perspectiva de dar uma caminhada no centro e jogar futebol, quando sentiu aquele cheiro de naftalina do vestido da Sra. Shaw. Virou-se para o lado oposto e deu de cara com a própria professora, que exibia nos olhos aquele olhar insano faça-a-droga-do-exercício-ou-juro-que-estouro-seus-miolos. Don não ousou discutir; a mãe e o pai lhe arrancariam as tripas caso se metesse em outra confusão.
Encarou as linhas azuis do caderno.
- Odeio essa aula, cara – ele ouviu Martin sussurrar atrás dele.
- Eu também – respondeu Don e antes que a Sra. Shaw pudesse encontrar motivo para se aproximar de sua carteira, começou a escrever alguma coisa.
Escrevera rápido e sem dificuldade. Quando releu o que havia escrito percebeu, horrorizado, que seu poema tinha todas aquelas qualidades que a professora havia pedido. Métrica, rima, fluidez. Sem saber o que era pior – saber o que significava aquelas palavras ou aplicá-las num trabalho sem saber – fez a única coisa que lhe pareceu sensata no momento: apagou o poema furiosamente.
Ganhou um zero redondo pela atividade.
Mas aquela experiência estranha não parecia querer deixá-lo tão cedo. Quando chegava em casa à tarde, suado e melado de um jogo de futebol ou de uma corrida de bicicleta na avenida, começava a pensar sobre velocidade, sobre liberdade e sobre glória. E aqueles pensamentos irritantes explodiam sua cabeça e ele só conseguia se livrar deles quando os escrevia. O caderno de capa vermelha, encontrado embaixo da cama, não demorou a ser a cura de suas terríveis dores de cabeça.
A coisa não parou. Quando ia ao shopping com os amigos olhar as garotas bonitas, chegava em casa e escrevia sobre labirintos sem fim, sobre efemeridade (Raios, ele sabia o que uma palavra daquelas queria dizer!), sobre sentimento de perda. Quando dava uma volta de carro com o pai escrevia sobre os tons de verde do campo, os pássaros que voavam livres na imensidão do céu e a gaiola que era sua própria realidade. E claro, quando via Lola escrevia furiosamente sobre sol, solidão, medo, angústia e melancolia. Se algum de seus amigos descobrisse... Se eles suspeitassem... Engoliu seco, saiu do quarto e desceu as escadas.
Aquilo era coisa de bicha. Não era coisa de garotos normais de dezesseis anos. Que seria de sua reputação se alguém soubesse que ele versava sobre todas aquelas coisas, sobre todos aqueles vazios, sobre a existência nublada de sua vida? “Existência nublada... Vou guardar essa para depois...”. Teve uma súbita vontade de cair da escada e quebrar o pescoço com o pensamento.
- Doooooooooooooooooooooooon!
- Eu já to indo, mãe! Que coisa! – bufou ele, andando mais rápido até a cozinha.
Por que ele? Por que? Dentre todos os garotos do mundo, ele tinha que pensar naquilo tudo? Será que aquela coisa nunca mais o abandonaria? Será que ele passaria o resto da vida pensando ritmado? Cheio de viadagem? Era uma merda. Não havia outra palavra para expressar; era uma grande merda. E provavelmente iria enlouquecer. Ia sim. Iria enlouquecer a medida que aquele maldito caderno de capa vermelha era preenchido...
- Puta que pariu, viu... – xingou baixinho assim que chegou na cozinha.
- Olha a boca na minha cozinha, moleque! – repreendeu a mãe.
- Desculpa, mãe – ele disse rápido, puxando a cadeira do balcão.
- Você e seu pai... Essa mania horrorosa de se expressar com as piores palavras da face da Terra! Ainda mais na frente de visita...
- Desculpa, mãe – ele repetiu, sem prestar muita atenção. Estava com fome. E tinha bolo.
- ... eu realmente peço desculpas, querida.
- Não tem problema não, dona Arminda.
Don estacou. Estava mesmo com fome? O bolo de repente lhe parecia desinteressante. O mundo parecia desinteressante. A cozinha tinha de repente ficado mais escura... Ele se virou, tremendo idiotamente, e a encarou. Ela.
Era ela. A única coisa realmente iluminada. O sol, mas com aquele brilho místico das estrelas. Aquela certeza determinada que sorria nos olhos, a delicadeza que ela habilmente escondia por trás daquela pose sarcástica... Não havia muito a dizer sobre ela, não havia como descrevê-la. Deixar a mente vagar pelas verdades escondidas por trás daquela garota... Se o coração batia dentro de uma gaiola, como diziam os Strokes, então ela tinha a chave. Ela tinha que ter. Para poder arrancá-lo daquilo tudo. Pois não haveria paz, não haveria sono, não haveria nada em sua vida sem aquela presença iluminada em meio às trevas. De nada valeria sua alma, ele já a tinha leiloado. E ao que parecia, aquela garota ali na frente foi quem fizera o lance mais alto. Aquele pânico involuntário, aquela sensação indesejada, não era nada menos que a expressão física de algo que foi perturbado em águas mais profundas. Na existência nublada.
Don estremeceu.
Ele era um artista, santo Deus! E era danado de bom.
sexta-feira, 27 de julho de 2007
In Memoriam
Vai ler mesmo assim?
Okay, okay, a responsabilidade não é mais minha.
Pela memória de Fred Weasley
A morte do Olho-Tonto, do Dobby, (que eu digo que senti muito mesmo, mais do que imaginaria sentir), de Colin Creevey, de Lupin e Tonks pareceram fichinha. Poucas páginas depois do tão esperado e glorioso beijo entre Ron e Hermione, Fred Weasley é assassinado por um dos Comensais da Morte enquanto lutava ao lado de seu irmão Percy. Morreu contando uma piada.
Eu entrei em estado de choque. Não consegui absorver as páginas seguintes, a única coisa que parecia importar era que Fred Weasley estava morto. Morto. Nunca mais iria dar outra tirada sensacional, nunca mais terminaria as falas do irmão, nunca mais chamaria Angelina Johnson para ir a um baile, nunca mais tiraria onda com a cara da mãe. Porque ele estava morto. Acho que não perdôo a Rowling por isso.
Fred Weasley era um cara inteligente apesar de ter tirado apenas três N.O.M´s e nunca ter terminado a escola. Ele e seu irmão gêmeo, George, passavam o dia dentro do quarto na Toca, “explodindo” coisas. Essas explosões, mais tarde, vieram a se tornar invenções e parece estranho alguém considerá-los apenas arruaceiros quando criaram todas aquelas mágicas incríveis para a loja de logros e brincadeiras. O objetivo de sua vida era trazer alegria às pessoas, tornar aquele mundo cinza em que viviam um lugar mais feliz.
Fred Weasley se importava com sua família. Importava sim, porque apesar do desejo de ser independente e ter seu próprio dinheiro, ele sempre teve orgulho de Arthur. Mesmo com todas as brigas e discussões, ele amava Molly. Ele cuidava da Ginny e ficou feliz quando Ron se tornou uma sensação do quadribol. Sua personalidade descontraída e o lema de “jamais perder a piada” não o impediu de defender os pais contra os horrores que Percy disse a eles; mas seu coração essencialmente bom fez com que perdoasse esse mesmo Percy e fez com que lutasse ao lado dele, com orgulho, até o fim.
Fred Weasley era um autêntico grifinório. Ele honrou a casa a qual pertenceu. Era nobre e corajoso, morreu na frente de batalha, defendendo o que acreditava e aqueles a quem amava. Ele não hesitou um único segundo; respondeu ao chamado de Neville, ansioso pela batalha, afinal de contas, se demorasse muito “todos os Comensais realmente bons já teriam ido” – como disse bem seu gêmeo.
Fred, assim como o fantasma do seu sorriso não deixou seu rosto na hora da morte, a chama da sua alegria jamais deixará nossos corações. Que a partir de agora não haja mais lágrimas, que lembremos de você como foi em vida: sempre sorrindo. Afinal de contas, a força do verdadeiro sentimento jamais nos deixa.
E mais uma vez temos a prova de que os livros de Rowling são mais do que apenas livros. Que seus personagens são feitos de algo que vai além de mero papel e tinta. Eles vivem de alguma forma dentro de nós. Nós choramos com eles, sorrimos com eles, vivemos com eles. Jamais os esqueceremos porque eles estão dentro de nós.
Fred Weasley
Amado irmão, filho e amigo.
“Coragem sem hesitação e nobreza diferenciam os alunos da Grifinória dos demais”.




